A Crise Política no Zimbabwe


1 - INTRODUÇÃO
O presente trabalho enquadra-se na disciplina de Estudo de conflitos, leccionada no ISRI, 3º ano, no curso de licenciatura em diplomacia e relações internacionais cujo tema é “A análise da situação política no Zimbabwe (2015-2018)”.  
A luta de libertação do Zimbabwe teve apoio de países dos países da linha da Frente (Moçambique, Angola, Tanzânia, Zâmbia e Botswana) fundada em 1976, resultado de encontros iniciados em 1974 pelos antigos estadistas dos países atrás referidos, cujo objectivo era formar estratégia comum de apoio aos movimentos de libertação.
A Linha da Frente desempenhou um papel importante na libertação de Mugabe, Sithole e outros do regime de Ian Smith. Moçambique como membro disponibilizou o seu território para os militares do Zimbabwe e fechou as fronteiras com a Rodésia do Sul actual Zimbabwe em cumprimento da resolução da ONU.
A crise actual teve antecedentes no acordo de Lancaster House, em 1979 e agravou-se no ano 2000 aquando das primeiras invansões das farmas dos fazendeiros pelos ex. combatentes pela independência do Zimbabwe.

1.1  – Contexto
A actual situação do Zimbabwe resulta dos conflitos das pressões herdadas no periodo colonial em todas as esferas sociais, políticas, culturais e economicas. Em 1979, foi estabelecida uma trégua (acordo Lancaster House) entre os colonos ingleses e os movimentos de libertação do Zimbabwe, a ZANU-PF e a ZAPU no qual foram cometidos muitos erros na transição para a independência do Zimbabwe que teria lugar em 1980. Um dos graves erros foi o acordo rubricado na lei de terra. 
Zimbabwe libertou os homens mas cometeu erros cruciais quando concordou que os fazendeiros brancos iriam abandonar a terra 25 anos depois da independência, uma situação que viria agravar a situação de actual Zimbabwe, como nação e estado independente.


1.2 – Objectivo geral
- Analisar a situação política do Zimbabwe entre 2016 e 2018.

1.3  – Objectivo específico
- Identificar as causas da crise no Zimbabwe;
- Analisar as consequências desta crise no Zimbabwe;
- Identificar os protagonistas desta crise;

1.4  – perguntas de partida
i)                    Quais foram as causas da actual crise no Zimbabwe? Quais foram os antecedentes?
ii)                  Porquê é que a independência nacional teve lacunas?
iii)                Quais foram as figuras mais preponderante na crise?
iv)                Quais foram as consequências da crise?

1.5  - Metodologia
Para a realização deste trabalho foi feita a revisão bibliográfica de jornais online, manuais, pesquisa na internet, elaboração do relatório final e conclusão do estudo.

1.6  - Problema da causa
A situação actual do Zimbabwe deve-se as sanções imposta pela UE (União Europeia) ao Zimbabwe foi depois da decisão de Robert Mugabe em expropriar terra aos fazendeiros brancos e entregar aos antigos combatentes.
Nos acordos de Lancaster House tinha concordados que os fazendeiros ocupariam durante 25 anos, a pagar um tributo aos cofres do Estado. A verdade é que foram passando os anos e os ingleses não pagaram qualquer tributo.
De facto, Zimbabwe até finais de 2000 era considerado o maior celeiro de África mas depois  de invasões de farmas, houve saques, o desemprego aumento e a economia fico paralizada.
As eleições gerais de Março de 2008, no Zimbabwe que ditaram a partilha do poder no Zimbabwe, Roberto Mugabe vence como presidente da República e Morgan Tsvangirai torna-se Primeiro-Ministro criou várias discussões e acusações na violação da constituição, pois houve nomeação de 10 governadores unilateralmente o que fez o Primeiro-Ministro pedisse o seu anulamento. Isso fez com que Robert Mugabe anulasse o governo de coligação em 2011 e convocação de novas eleições gerais em 2013, nas quais teve mais de dois terço, passando a governar o país com uma maioria absoluta até a sua queda em 2017.


2. A QUEDA DO ROBERT MUGABE A ACTUAL CRISE
Em 2017 era visto como candidato as eleições de 2018. Antes de fim do mandato Robert Mugabe é forçado a renunciar à presidencia do Zimbabwe 37 anos no poder, voluntariamente, tendo indicado o presidente do Parlamento Jacob Mudenda, e o vice-presidente demitido Emmerson Mnangagwa assumiu o poder. De professor respeitado, Mugabe se tornou um déspota obececado pelo poder. Chegou ao poder em 1980 como héroi.
A crise  no Zimbabwe começa quando militares informaram ter começado uma operação contra os homens mais próximos de ex. Presidente Robert Mugabe.

2.1 - As partes envolvidas na crise
As partes envolvidas neste conflito como protagonistas principais são as forças políticas obececadas pelo poder político, no Zimbabwe (MDC, ZANU-PF e ZAPU), as organizações civis, ONG’s e outras forças que interessadas pela justiça social, económica e o retorno a estabilidade.
Outros actores nesta crise são as sanções impostas pelos países da União Europeia e dos EUA. Em contrapartida, há países que sempre apoiaram o regime do Robert Mugabe que todos os membros da SADC e UA nos quais chegou a ser presidente, ainda contava com o apoio da China, Rússia, Índia e Mercosul e dos países árabes.

2.2  - Causas da crise zimbabweana
Robert Mugabe dirigiu Zimbabwe durante, 37 anos no poder e dirigiu o país com braço de ferro. Um dos erros mais graves foi na resolução da lei de terra, durante os acordos de Lancaster House, por ter concedido a terra a minoria branca para ser explorada durante 25 anos e mediante ao pagamento de um tributo que não se chegou a pagar, uma situação que mais tarde, nos anos 2000, vinte (20) anos depois, obrigou o presidente Robert Mugabe tomar uma decisão unilateral a deliberar que a terra passava para os ex. combatentes pela luta de libertação do Zimbabwe.
A invasão as farmas dos brancos foi a gota que precipitou e arrastou a crise do Zimbabwe até a queda de Mugabe em 2017, no entanto o país mergulhouse numa grave crise, tendo sofrido o isolamento da União Europeia. Essa situação tornou o país mais vulnerável porque o desemprego acelerou, alguns investidores abandonaram o país, certas empresas faliram e houve fuga de quadros para o estrangeiro.
A causa imediata do afastamento do Robert Mugabe foi a demissão do seu vice-presidente Emmerson Mnangagwa, este por sua vez fugiu para a África do Sul, mesmo na diáspora mantinha os seus contactos com os membros do partido e os ex. combatentes da luta de libertação do Zimbabwe, estes últimos que o conduziram ao poder político. Os ex. combatentes suspeitaram que Robert Mugabe conduziria à esposa, Grace Mugabe ao poder político, como candidato do seu partido, nas eleições de 2018, por isso mesmo, depois da queda os dois (2) foram expulsos do partido ZANU PF.

2.3  – Consequências da crise zimbabweana
Este país foi um dos maiores produtores de cereais ao nível de SADC em particular e de África em geral. Com o abandono pela parte dos produtores brancos houve uma regressão, actualmente, é um país que depende da ajuda externa. Está crise económica arrastou-se até 2017 que culminaria com a queda de Robert Mugabe do poder devido as várias manifestações populares, críticas de ocidente e de organizações civis de todos níveis que achava que já não tinha faculdades mentais e força suficiente para se manter no poder. Praticamente, Robert Mugabe foi afastado de poder por um golpe de estado sem derramamento de sangue, devido a forma pacífica como o deixou. Politicamente, a oposição se encontra fragilizada depois da morte do líder de MDC Morgan Tsivangirai, vítima de doença, no entanto, o país está a erguer-se dos escombros da crise, graças a ajuda e abertura com os países que outrora eram vistos como inimigos por causa da situação política, ditadura que se vivia no país.
Outros países e povos da região Austral de África sentem a necessidade de apelar os líderes ditatoriais a optarem pela mesma maneira. Pois onde ainda há ditadura, existe problemas graves da corrupção, violação dos direitos humanos, elevados índices de analfabetismo, custo de vida elevado, fraude eleitoral e uma violação constante das constituições.



CONCLUSÃO
Feito trabalho concluiu-se que a crise do Zimbabwe seria inevitado, qualquer governo no poder pressionado iria tomar a decisão de expropriar a terra população indigena. No entanto, Robert Mugabe deliberou pois, tinha prometido ao povo que a transferência seria gradual e viu que o seu poder político estava ameaçado. Mais de dois terço da terra arável estava nas mãos da minoria branca, portanto, algo devia fazer para convencer o seu povo. O grave erro foi de ter libertado o homem e não tendo nacionalizado a terra.
A queda do Robert Mugabe foi uma porta aberta para a queda ou renuncia de outros presidentes líderes de partidos que alcançaram as suas independência e liberdade, por meio de insurreição armada como José Eduardo dos Santos (Angola) e Jacob Zuma (África do Sul), do MPLA e ANC, respectivamente.





BIBLIOGRAFIA
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